Uma fisgada na virilha ao agachar, correr ou chutar a bola costuma ser tratada como distensão muscular. Quando a dor volta sempre nos mesmos movimentos, porém, a causa pode estar dentro da articulação do quadril. Entre adultos ativos de Londrina e do Norte do Paraná, uma das causas mais frequentes é o impacto femoroacetabular.
O nome é difícil, mas a ideia é simples. Neste artigo, explicamos o que é o impacto, quais são os sintomas, a relação com a lesão do labrum e as opções de tratamento.
Em resumo
O impacto femoroacetabular é um atrito anormal entre a cabeça do fêmur e a borda do acetábulo, causado por diferenças no formato desses ossos. Ele provoca dor na virilha ao agachar, girar a perna ou ficar muito tempo sentado, e pode lesionar o labrum, a cartilagem que contorna a borda do encaixe. O diagnóstico combina exame físico, radiografias e, em geral, ressonância magnética. O tratamento começa com fisioterapia e ajuste das atividades; a cirurgia por artroscopia é considerada quando os sintomas persistem.
O que é o impacto femoroacetabular
O quadril é formado pela cabeça do fêmur, em forma de bola, que se encaixa no acetábulo, uma cavidade da bacia. Em algumas pessoas, o formato desses ossos é um pouco diferente. Quando o quadril dobra e gira, as bordas se tocam antes da hora. Esse toque repetido é o impacto.
Existem dois tipos principais, que podem aparecer juntos:
- Tipo came: há uma saliência no colo do fêmur, a região logo abaixo da cabeça. A bola fica menos redonda e esbarra na borda do encaixe.
- Tipo pincer: a borda do acetábulo cobre demais a cabeça do fêmur e prende o movimento.
Essas diferenças de formato costumam se desenvolver durante o crescimento. Muitas pessoas têm o formato sem nunca sentir dor. Por isso, o diagnóstico considera os sintomas e o exame físico, e não apenas a imagem.
Sintomas do impacto femoroacetabular
- Dor na virilha ao agachar, principalmente no agachamento profundo.
- Dor ao entrar e sair do carro, ao calçar sapatos ou ao cruzar as pernas.
- Desconforto depois de muito tempo sentado, sobretudo em cadeiras baixas.
- Fisgadas ao girar o corpo, mudar de direção ou chutar.
- Estalos ou sensação de travamento, que podem indicar lesão do labrum.
- Perda de flexibilidade do quadril em comparação com o outro lado.
A relação com a lesão do labrum
O labrum é um anel de cartilagem que contorna a borda do acetábulo. Ele ajuda a vedar e estabilizar a articulação. No impacto, o labrum é pressionado a cada movimento e pode rasgar. A cartilagem vizinha também pode sofrer.
Com o tempo, essas lesões podem favorecer o desgaste precoce do quadril. Por isso, o diagnóstico cedo amplia as opções de tratamento. Saiba mais na página sobre lesão do labrum.
Quem tem mais risco
O impacto femoroacetabular aparece com mais frequência em adultos entre 20 e 45 anos que praticam atividades com muita flexão e rotação do quadril, como:
- futebol e futsal;
- lutas e artes marciais;
- musculação com agachamento profundo e treinos funcionais;
- dança, balé e ginástica;
- corrida com mudanças de direção.
O esporte não é o vilão. Ele faz bem à saúde, mas pode revelar um formato de quadril que já existia.
Como é feito o diagnóstico
Na consulta, o médico conversa sobre a dor e o tipo de atividade praticada. No exame físico, alguns movimentos reproduzem a dor. Um dos mais usados dobra o quadril, leva o joelho para dentro e gira a perna. Se esse movimento provoca a dor conhecida, o impacto passa a ser suspeito.
As radiografias, feitas em posições específicas, mostram o formato dos ossos. A ressonância magnética avalia o labrum e a cartilagem. Em alguns casos, a tomografia ajuda no planejamento do tratamento. Veja a página sobre impacto femoroacetabular.
Tratamento do impacto femoroacetabular
O tratamento começa, na maioria das vezes, sem cirurgia:
- fisioterapia com fortalecimento do quadril e do abdômen e treino de controle do movimento;
- ajuste temporário do treino, evitando os movimentos que provocam dor;
- medicamentos com orientação médica;
- infiltração em casos selecionados, que também pode ajudar a confirmar a origem da dor.
Quando os sintomas persistem apesar desse cuidado, a cirurgia pode ser indicada. Ela costuma ser feita por videoartroscopia de quadril, com pequenos cortes e uma câmera. O cirurgião corrige o formato dos ossos e trata o labrum. A indicação é individual, e a reabilitação é acompanhada passo a passo. Conheça a cirurgia para impacto femoroacetabular e a artroscopia de quadril.
Posso continuar treinando?
Depende da intensidade da dor e do que a avaliação mostrar. Em geral, não é recomendado insistir no movimento que dói. Muitas pessoas seguem ativas com ajustes no treino enquanto fazem o tratamento. A decisão é tomada caso a caso. Se a dor no quadril também aparece ao caminhar, leia o artigo sobre dor no quadril ao caminhar.
Atendimento em Londrina e no Norte do Paraná
O Dr. Guilherme Rufini Isolani é ortopedista e traumatologista, com atuação em cirurgia do quadril em Londrina. Seu trabalho inclui a preservação articular, que busca manter o quadril natural. Formado em Medicina pela UFPR, chefia o Serviço de Ortopedia e Traumatologia e o Serviço de Cirurgia Robótica do Quadril do Hospital Evangélico de Londrina. Atende no consultório em Londrina e por teleconsulta para outras cidades do Norte do Paraná. Conheça o Dr. Guilherme.
Perguntas frequentes
Impacto femoroacetabular tem cura?
O tratamento busca controlar a dor e proteger a articulação. Muitas pessoas melhoram com fisioterapia e ajustes no treino. Quando a cirurgia é indicada, ela corrige o formato dos ossos que causa o atrito. O resultado depende de cada caso e da condição da cartilagem.
Impacto femoroacetabular sempre precisa de cirurgia?
Não. O tratamento costuma começar com fisioterapia, ajuste das atividades e medicamentos orientados. A cirurgia é considerada quando os sintomas persistem apesar desse cuidado.
Qual exame mostra a lesão do labrum?
A ressonância magnética é o exame mais usado para avaliar o labrum e a cartilagem. Em alguns casos, ela é feita com contraste dentro da articulação, a artrorressonância.
Dor na virilha no agachamento é sempre impacto?
Não. A dor na virilha também pode vir de músculos, tendões, hérnias da parede abdominal ou de outras condições do quadril. A avaliação ortopédica identifica a causa.

